Quando pensamos em ir para academia para praticar musculação, aula de artes marciais, aula de dança, enfim, qualquer exercício, é necessário acompanhamento de uma pessoa especializada.
Faça aulas de dança com professores(as) que tenham experiência. A dança exige movimentos repetitivos, alguns que nunca foram antes executados, músculos que nunca foram trabalhados, qualquer movimento executado de forma errada pode prejudicar nosso corpo de forma grave.
Achei essa matéria interessante e resolvi publicar.
Ao ser chamado para escrever sobre lesões associadas à dança do ventre, confesso que fiquei um pouco sem saber o que dizer... minha experiência profissional é com o acompanhamento ortopédico de bailarinas de dança moderna e clássica, não com dança do ventre, mas ao mesmo tempo não acredito ter no país ninguém que tenha um trabalho consistente em relação a lesões na dança do ventre. E pelo que pesquisei não encontrei nada na internet com uma boa metodologia que avaliasse especificamente as lesões nestes dançarinos, nem na literatura nacional nem na literatura internacional, de forma que aceitei o desafio.
Ao se trabalhar com traumatologia esportiva é necessário entender os movimentos característicos da modalidade em questão, para que assim se consiga entender o que está causando a lesão. A dança do ventre não envolve exercícios de ponta, gera muito menos impacto articular e, desta forma, é muito menos vulnerável para lesões do que o ballet clássico, o que é corroborado por informações de sites especializados na internet.
O primeiro passo foi, então, ver alguns vídeos para entender o que existe de diferente na dança do ventre em relação a outras formas de dança / outras atividades físicas. E o que mais me chamou a atenção foi o seguinte: enquanto na maioria dos esportes o tronco deve fornecer a sustentação necessária para permitir o movimento das extremidades (braços e pernas), na dança do ventre ocorre justamente o oposto: as extremidades é que vão dar a sustentação necessária para os movimentos do tronco. Isso exige equilíbrio e controle extremamente acurado da musculatura e das articulações do tronco e quadril, e assim escolhi este assunto para me concentrar.
A coluna é formada por uma pilha de 33 ossos denominados de vértebras, as quais se articulam uma sobre a outra. É dividida em coluna cervical (pescoço), coluna torácica (tórax) e coluna lombar (região abdominal). Enquanto a coluna cervical e lombar são capazes de realizarem movimentos complexos, a mobilidade da coluna torácica é bastante limitada devido principalmente às costelas. A vértebra mais inferior se articula com a bacia através de um osso denominado de sacro, de forma que a articulação sacroilíaca é a união da coluna com a bacia. Já o quadril é a articulação da bacia com o fêmur, que é o osso da coxa. Músculos, ligamentos e, no caso da coluna, os discos intervertebrais, fazem a união entre os ossos em todas estas articulações, e estas estruturas é que são responsáveis tanto pelos movimentos como pela estabilidade destas articulações.
O ponto central para a realização dos movimentos da coluna na região abdominal (ventre) é a estabilidade da bacia. A bailarina que tiver uma estabilidade ruim nesta região não será capaz de realizar adequadamente tais movimentos, ficará frustrada com seu desempenho técnico e terá a coluna e o quadril muito mais vulnerável a lesões.
A estabilidade da bacia depende de quatro grupos musculares: a musculatura anterior do quadril e a musculatura posterior da coluna, que promovem a rotação da bacia para frente, e a musculatura posterior do quadril (glúteos) e anterior da coluna (abdominais), que promovem a rotação posterior da bacia. A coluna, para manter o corpo ereto, realiza movimentos opostos aos da bacia. Assim, quando a bacia roda para frente, a coluna precisa ser extendida para trás, aumentando sua curvatura natural, denominada de lordose. Quando a bacia roda para trás ocorre o oposto, e a coluna vai para a frente, se retificando. Idealmente, para se realizar os movimentos da dança do ventre, é necessário rodar a bacia para trás, o que popularmente se chama de encaixar o quadril. É aí que está o problema: a maior parte da população tem a musculatura posterior da coluna encurtada e uma fraqueza da musculatura abdominal e glútea, favorecendo justamente o oposto, que é a inclinação da bacia para frente. O uso frequente de salto alto favorece ainda mais esta postura.
A dança do ventre é, portanto, uma atividade bastante exigente em relação à estrutura muscular, e se você acha que não tem uma muscular preparada, é conveniente associar outras atividades que realizem este trabalho de controle e reequilíbrio muscular. Uma boa alternativa (não a única) para isso seria o Pillates, o qual trabalha justamente com o controle desta musculatura. Se você faz a dança do ventre e já tem sofrido com frequentes dores nas costas ou no quadril, antes de iniciar qualquer trabalho de reequilíbrio muscular procure fazer uma avaliação ortopédica, para que assim possa ser orientado de como realizar a atividade de uma forma segura, além de descartar possíveis lesões.
TEXTO:
Dr. João Paris Buarque de Hollanda
Ortopedista
www.lesoesnadanca.wordpress.com
FONTE:
http://www.centraldancadoventre.com.br/artigos/1035-lesoes-relacionadas-a-danca-do-ventre

